APDC no Programa Construção Dinâmica na TV

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Consultor da APDC afirma que cal pode substituir o cimento

Até 50% mais barata que  cimento e com preço mais estável, a cal pode ser uma alternativa para o mercado da construção civil. O material tem a mesma função do cimento, o de aglomerante, mas perdeu espaço no mercado por causa da maior rapidez de cura “endurecimento” do concorrente: para a cal o tempo é de 90 dias, em média, enquanto para o cimento é de 28 dias. “É claro que hoje seria impraticável substituir todo o cimento de assentamento e revestimento por cal.

Mas fazê-lo em parte da obra pode trazer economia e algumas vantagens de performance”, diz o engenheiro químico que trabalhou oito anos na indústria cimenteira e hoje é consultor da Associação dos Produtores de Derivados do Calcário (APDC), Alexandre Garay. A cal não tem função estrutural, mas na aplicação para a argamassa de assentamento de tijolos e revestimento oferece vantagens como mais resistência à umidade e mais elastividade, diminuindo a ocorrência de patologias de rachaduras.

Programa de Gestão de Qualidade APDC comemora 10 anos

A APDC completou neste ano , no mês de  junho, 10 anos do Programa de Gestão de Qualidade (PGQ) da cal. O Programa que foi desenvolvido e implantado em 2001 tinha como objetivo  garantir a qualidade e a pureza do produto entre suas associadas. No entanto, em 2008, percebendo a necessidade de planejamento e monitoramento, agregou foco também na gestão empresarial. Com isso o PGQ foi reestruturado e adotou como medidas as normas de qualidade ISO 9001.

As mineradoras participantes do programa podem usufruir do Selo de Qualidade APDC, iniciativa que tem como meta rotular as empresas qualificadas, são avaliadas periodicamente através de rigorosos testes para assegurar até mesmo o peso líquido dos produtos.

Hoje são visíveis os progressos que o PGQ conquistou e proporcionou, sobretudo na  na área ambiental. Ao longo dos 10  anos o combate aos impactos ambientais tornou-se preocupação prioritária entre as empresas, que passaram a investir em novas tecnologias que reduzem a emissão de gases poluentes, efetivaram a pavimentação e umidificação das vias de acesso, enclausuramento das áreas industriais, construção de cinturões verdes, como também abandonaram práticas inadequadas de armazenamento de estoque a céu aberto.

Atualmente, 14 mineradoras participam do Programa de Gestão de Qualidade e juntas representam 92% da produção do mercado paranaense. No  Paraná, o setor da cal emprega, direta e indiretamente, mais de 20 mil pessoas.

SAIBA TUDO SOBRE A CAL

A cal é um dos produtos naturais mais versáteis. Começou a ser usada na pré-história e foi muito utilizada na construção de pirâmides, igrejas e principalmente habitações. Uma de suas principais funções é de aglomerante, ou seja, dá liga na massa, atuando como uma espécie de cola.

No entanto, seu uso é diversificado:

Na construção civil, a cal é utilizada principalmente na forma hidratada, como componente fundamental no preparo de argamassas de assentamento e de revestimento de grande durabilidade e de ótimo desempenho. É utilizada também no preparo de tintas alcalinas de alta alvura, atribuindo à pintura propriedades fungicidas e bactericidas que favorecem a saúde e o conforto dos usuários das edificações.

Na construção de estradas, como elemento de estabilização de solos de baixa capacidade de suporte e como aditivo de misturas asfálticas, assegurando maior longevidade ao capeamento das rodovias.

Nas indústrias siderúrgica e metalúrgica, a cal é fundamental em diversas fases da fabricação e de outros metais não ferrosos, como cobre e o zinco. A cal é aglomerante na minério de ferro. Utilizada no processo de  sinterização e na dessulfuração de gusa, como elemento escorificante, protetor de revestimentos refratários em fornos de aciaria e como lubrificante na trefilaria.

 

metalurgia de alumínio emprega a cal na causticação ou recuperação da soda cáustica usada na digestão da bauxita.

Em processos químicos e industriais, a cal é fundamental em vários setores. Na indústria química, é insumo básico na produção de especialidades como carbonato de cálcio precipitado, carbureto de cálcio, óxido de propeno, cloreto de cálcio, hipoclorito de cálcio e vários outros elementos.

 

 

Na produção de papel e celulose, a cal virgem é essencial na causticação do licor negro e como agente redutor de acidez na produção de papéis alcalinos. É também empregada como fundente em vidrarias e em outros processos industriais, como a produção de refratários de borracha.

 

 

Na indústria alimentícia, a cal está presente nos setores sucro-alcooleiro, cítrico e em vários processos de preparo de alimentos. Na produção de açúcar e de álcool, age como redutor de acidez e clarificador do caldo da cana. No setor cítrico, é agente redutor de acidez e auxiliar para secagem do bagaço de cítricos e fonte de cálcio na produção das rações preparadas à base do farelo desse bagaço. É empregada também na produção de fosfato bicálcico para alimentação animal e usada ainda como redutor de acidez na indústria de laticínios.

 

Na agricultura, a cal tem forte aplicação na recuperação de solos ácidos, tornando-os próprios ao reflorestamento e a diversas culturas, sendo também um importante micronutriente. É fonte de cálcio na produção industrial de fertilizantes agrícolas. Tem ainda inúmeras aplicações no meio rural, incluindo a proteção de áreas de criação de frangos, a alcalinização de lagoas para piscicultura e até mesmo interessantes usos na culinária.

Na saúde e na preservação ambiental, a cal age como poderoso bactericida e saneador de ambientes, tendo papel destacado na prevenção de males como a doença de Chagas e no combate a vetores como o vibrião do cólera. É elemento básico no tratamento de efluentes domésticos e industriais e de água para abastecimento público. É um valioso agente dessulfurante no controle de emissões atmosféricas da indústria, contribuindo para reduzir a incidência de chuvas ácidas.

 

Cal virgem ou hidratada?

Algumas vezes, a qualidade das argamassas utilizadas na construção civil deixa a desejar pelo uso do tipo errado da cal.


O Óxido de Cálcio (CaO), mais conhecido comercialmente como cal, é um dos materiais de construção mais antigos do mundo. É obtido pela decomposição térmica (calcinação ou queima) de rochas calcárias moídas em diversos tipos de fornos, a uma temperatura média de 900°C. Sua utilização é muito abrangente nos mais diversos segmentos: construção civil, construção de estradas, siderurgia e metalurgia, indústria química, papel e celulose, indústria alimentícia, agricultura, saúde e preservação ambiental.

A chamada cal virgem, também denominada cal viva ou cal ordinária, é o produto inicial resultante da queima de rochas calcárias, composto predominantemente dos óxidos de cálcio e magnésio. Já a cal hidratada, como o próprio nome sugere, é uma combinação da cal virgem com água. Ou seja, CaO + H2O -> Ca(OH)2. Tem propriedades aglomerantes como o cimento, com a diferença de que o cimento, para endurecer, reage com a água e a cal com o ar. É a chamada cal aérea, enquanto o cimento recebe o nome de aglomerante hidráulico.

Mas a dúvida permanece: qual o tipo de cal que devemos usar quando preparamos uma argamassa? A resposta é simples em um primeiro momento: podemos utilizar os dois tipos. Em determinadas regiões do Brasil, a utilização da cal virgem para argamassas de assentamento e revestimento é bem intensa. Em uma primeira etapa, são misturadas a cal, areia fina e água. Essa mistura fica “descansando” por alguns dias, perde trabalhabilidade e depois é adicionada a uma pequena parte de cimento e mais água.

Na realidade, portanto, ninguém usa cal virgem. Podemos comprar uma cal virgem e quando preparamos a argamassa, seja na obra ou em central, estamos hidratando a cal no exato momento da adição de areia e água. Esta reação libera muito calor e uma boa cal, bem calcinada, demora aproximadamente 48 horas para hidratar bem.

Uma grande vantagem quando se compra a cal já hidratada no produtor é justamente a garantia de uma boa e completa hidratação. Além disso, a argamassa preparada com cal hidratada pode ser utilizada logo após a sua mistura. O que pode ocorrer, quando se faz a argamassa com a cal virgem, é fazer a aplicação na obra sem a completa hidratação. As conseqüências são trincas e quedas do material, com muito desperdício.

Lembramos que, qualquer que seja o tipo de argamassa (mista, industrializada ou estabilizada), a escolha correta dos materiais componentes fará a diferença para se obter um produto final de boa qualidade. Em um país de grandes proporções como o Brasil, a regionalização é muito grande e a diversificação dos produtos determina as diversas práticas nas obras. Nesta questão das argamassas não poderia ser diferente. A cal não é disponível em todos os estados e o frete muitas vezes inviabiliza sua utilização. É mais um desafio que os profissionais da construção civil enfrentam, com muita criatividade e adaptação.

Créditos: Engº. Jorge Aoki.

Colaboração: Engenheiros Fábio Pini e Alexandre Garay, da Associação dos Produtores de Derivados do Calcário.